23.2.11

MORDAZ - Ed. 04


NESTA EDIÇÃO:

CAPA:
A REVOLUÇÃO DO SÉC. XXI COMEÇOU NO EGITO E ESTÁ SE ESPALHANDO PELO MUNDO.
QUANDO CHEGARÁ POR AQUI?  


Outros Destaques:
* TROPA DE ELITE 2, o nosso “O Poderoso Chefão” mostra como é possível a arte pressionar a realidade e principalmente os políticos.
* O Transporte Público de Diadema é o pior dos últimos anos.

e +:
Por que o Brasil é racista pra caralho?
Onde encontrar a sua Dominatrix perfeita?





* fotos retiradas do Oráculo Pós-Moderno (Google) *

...

15.2.11

O ESQUEMA GERAL DA VIDA #08

Os quatro amigos – Curiati, Cintia, Pernele e Gonzales - juntos como sempre no Zeca's Lanches bebendo cerveja e conversando como se não existisse mais nada para fazerem. Talvez não há mesmo. Todos com trinta e poucos anos. Terminaram o segundo grau juntos e mesmo que a vida de cada um foi para um caminho diferente sempre se reúnem.

CURIATI: Eu não curtia muito o Metallica antes. Achava Fuel e Enter Sandman bacanas.
CINTIA: Até que...?
CURIATI: Até que eu joguei o Guitar Hero deles na casa de um amigo meu. Cara, é insano! Battery é animal. Ainda mais que o meu amigo TEM uma bateria. Fiquei a tarde inteira imitando Lars Ulrich. E aí eu comecei a escutar as músicas dos caras.
CINTIA: Você baixou toda a discografia deles.
CURIATI: Foi.
CINTIA: Você sempre faz isso. Escuta uma música que gosta e baixa toda a discografia.
CURIATI: Não é como aquela merda do Angra ou Shaman. Eu nunca baixaria a discografia desses manés. Pra mim heavy metal era tudo igual. Um bando de caras fazendo cara de mau com calça apertada.
GONZALES: Nem me fala isso. Meu filho quer uma.
CURIATI: Calça apertada?
GONZALES: A bateria para jogar isso. Já não bastava ter que comprar o vídeogame caro pra caralho, ele quer a porra bateria. Dei a guitarra do jogo e o moleque pensa que é Jimi Hendrix!
CURIATI: Por que ele pensa que é o Jimi Hendrix?
GONZALES: Ele botou fogo na porra da guitarra do vídeogame! Trabalhei dois meses pra pagar aquilo.
PERNELE: Eu odeio videogames. Meu irmão tinha um. Jogava o dia inteiro. Não me deixava assistir TV. Eu queria ver a Xuxa e ele me enxia de cascudo.
CINTIA: Eu não sabia que você tinha um irmão.
CURIATI: Nem eu.
PERNELE: Eu tenho vergonha.
CINTIA: Por que?
PERNELE: Eu o denunciei para a polícia por ter roubado uma padaria e ele foi preso e jurou que quando saísse da cadeia iria se vingar, tipo Cabo do Medo.

Os três amigos ficam olhando para a cara de Pernele.

CINTIA: Q-quando ele vai sair da cadeia?
PERNELE: Saiu ontem.

Curiati cospe a cerveja que estava bebendo no susto.

PERNELE: É brincadeira!
CINTIA: Vaca.
PERNELE: Ele mora em Ribeirão Preto. Mas o lance do videogame é verdade.
GONZALES: O último videogame que eu tive foi o PlayUm. Não quis mais. Eu não jogo o do meu filho. Me matei jogando Tomb Raider III, me matei, o jogo era difícil pra caralho. Joguei sem revista, antes que você fale alguma coisa, Curiati.
CURIATI: Eu não ia dizer nada... só que jogar com a revista do lado é para frouxos.
GONZALES: Você só salvou no Silent Hill depois da revista.
CURIATI: Só olhei pra passa dentro da escola, quase no começo do jogo!
PERNELE: Frouxo.
GONZALES: Eu estava jogando Tomb Raider III e aí o meu Play queimou. Dooo naaadaaa. Fiquei atônito por três dias.
CURIATI: Pior de quando você era moleque e morreu no final do Alex Kidd The Miracle World e tacou o controle no chão?
GONZALES: Muito pior. Nem com o meu filho eu jogo depois disso.
CINTIA: Por que você quebrou o controle? Por que não começou de novo?
GONZALES: Tá brincando? Jogar videogame até o PlayStation aparecer significava ficar o dia inteiro na frente da TV.
PERNELE: Por isso meu irmão me dava cascudo.
CURIATI: Não existia memory card. Então a gente começava a jogar Alex Kidd nove horas da manhã e ia até de tarde jogando.
GONZELES: E se morresse, tinha que começar tudo de novo da fase um.
CINTIA: Tudo de novo?
CURIATI: Da primeira tela. Era fodástico.
GONZALES: Então, quando esses moleques cheios de marra, contando vantagem de quem fechou o God of War III em menos tempo, nunca passariam do inferno, da provação, de ser o verdadeiro jogador, sem salvar Alex Kidd em um dia.
CURIATI: Éramos heróis.
CINTIA: Namorar nada, né?
PERNELE: Kkkkkk.
CURIATI: O quê? Dava tempo de comer um pastel na feira de manhã, assistir A Super-Máquina, jogar videogame, dar uns beijos na vizinha, jogar taco na rua e voltar pra casa pra pegar o começo dos Trapalhões.
PERNELE: Eu estava assistindo alguma besteira no Youtube e sem querer eu vi o Didi imitando o Sidney Magal. Muito engraçado. O jeito do cara ficar de lado, o pezinho indo de um lado para o outro.
CURIATI: Pezinho?

Pernele levanta, fica de lado e imita o “famoso” passe com as pernas de Sidney Magal. Todos riem.

GONZALES: Cara, eles eram politicamente incorretos pra caralho. Chamavam o Mussum de pássaro preto!
CURIATI: Eu odiava isso. Mussum era o meu ícone nos anos 80.
CINTIA: Pensei que fosse o Michael Jackson.
CURIATI: Michael Jackson era meu ícone internacional, o Mussum era nacional.
PERNELE: Era tão politicamente incorreto que o mesmo Sidney Magal tinha uma música assim: [cantando] Se eu te pego com outro, eu te mato, te mando algumas flores e depois escapo.
GONZALES: Acho que já deu por hoje. Tô empapuçado de cerveja.
CURIATI: Baiacu.
CINTIA: Isso significa que já deu o tempo que a tua mulher te deixou ficar fora de casa, né?
GONZALES: Traduzindo literalmente? É.
PERNELE: Por que você não a traz pra conversar com a gente?
GONZALES: Ô Zecaaa! A conta! 

2.2.11

* * *

Eles trabalham no que não gostam
Para comprar coisas de que não precisam. 


Deus abençoe os idiotas. 


...

18.1.11

* * *

Não consigo pensar direito.
Trabalhar direito.
Não consigo escrever.
Não consigo me afastar, dar um tempo. Desligar.
Tudo é contínuo demais.
Ainda estamos em 2010.

Livros que li pela metade, revistas que li pela metade,
Roteiros que continuam pela metade
Tudo acumulando e acumulando e acumulando. 

12.1.11

(Conto): GONE


MATT BYRNE é “o cara”, norte-americano, nerd puro, que nunca quis curtir nada além de seu trabalho. Principalmente depois que numa noite inspirada concebeu o seu mais precioso projeto depois que terminou seus estudos no MIT: O site de relacionamento chamado GONE. Ele teve uma ideia que até então não parecia nada revolucionária, a de que os usuários ao criarem seus avatares colocariam todas as informações possíveis sobre si. Exatamente todas. Desde a altura e peso, signo, testes psicológicos para conhecer sua real personalidade, histórico familiar, todas as pessoas com quem já se relacionou. Tudo transformado em bytes, num avatar idêntico ao real. Um body pocket muito mais evoluído. 

- Não é só isso – continua Matt – é muito mais, o software munido de todas essas informações ao criar o seu reflexo virtual quando você não estiver desconectado, ele ainda estará lá, ainda agindo, como se fosse um vírus, interagindo em tempo real com outros avatares. Conversando, conhecendo novas pessoas virtuais, registrando novas informações.
- Ele adquiri A.I. Porque esse parece um princípio de inteligência virtual, algo não criado – comenta um dos investidores do Vale do Silício.
- Não, não, não. Infelizmente eu não criei um programa para gerar A.I. Gone na verdade  armazena as informações que seus pares virtuais buscam, como livros, filmes, novas amizades  mas tem que esperar para registra-las no banco de dados. Sem a autorização do seu par em carne e osso, ele não consegue isso.
- Isso está me parecendo mais um site de busca.
- Não, eu acho que não – diz Matt totalmente confiável em suas ideias, plenamente satisfeito em sua fala.
- Eu banco o projeto – diz o investidor.

Um ano e meio depois Gone está na rede e se espalha rapidamente com quase sessenta milhões de usuários acessando o site e se relacionando com outras pessoas e quando o par real dorme o par virtual busca novos mundos interessantes.

Matt foi o primeiro usuário de seu projeto, seu nickname é MATTBIRD. Através de Mattbird ele conhece uma namorada, que logo se torna esposa, conhece uma banda de jazz e começa a compor com eles através do site, conhece primos que nunca viu. Seu novo melhor amigo. Mattbird é o irmão mais velho de Matt que lhe abre as janelas do mundo e lhe ensina a viver nele.

Ao contrário do mundo virtual, este aqui de átomos ainda é passível de fatalidades e Matt morre em um assalto na saída de uma lanchonete. Todos ficam comovidos. Matt era um cara legal.

Mattbird é o que mais sofre, ele continua ali em Gone, colhendo informações, esperando              que seu par real o atualize, o que nunca mais irá acontecer. Neste ambiente em que as informações correm rapidamente e novidades não passam mais do que uma semana, Mattbird está obsoleto. Está ficando para trás. O cara que fica no canto da sala de aula, sozinho, com cara emburrada enquanto os colegas riem das histórias dos outros.

Em um ano e meio Mattbird está sozinho sabendo o que é o suicídio sem poder realizá-lo. Um software com saudades. Mattbird não pode ser deletado, vivendo eternamente uma depressão virtual. 




(Gilberto Caetano)

5.1.11

(Conto): A TETA DOS MILAGRES

SOFIA TUCCI tem belos seios, isso é fato. Sempre foi admirada por isso. Infelizmente não tanto pela inteligência como ela gostaria mas tem belos seios e com muito leite para seu filho, um adorável bebê. Todos o amam. Mas como felicidade só é legal no fim, seu filho tem uma doença degenerativa no pulmão esquerdo. Sofia o leva a muitos hospitais da região, até o da capital, chique e ineficiente para ajudá-la. E quando tudo está perdido se apela para Deus e dentro de uma igreja Sofia recebe a benção nos seios porque o menino irá tomar uma das últimas refeições. Toda a Igreja chora, emocionada, pedindo piedade. A cidade quase toda é muito católica.

Sofia caminha da igreja para casa sem querer pensar em nada, mente vazia. Lá, ao entrar no quarto do bebê, uma luz tenra e suave entra pela janela direto para o centro do cômodo. Sofia tira seu rebento do berço, caminha para o raio de luz e o amamenta, ele suga o leite como nunca antes, com força, força que nunca possuiu. Sofia sente o bico do peito dolorido, novidade, corre para o hospital. Depois de uma semana de exames e a amamentação sem fim, o bebê tem uma fome quase insaciável, a doença degenerativa no pulmão esquerdo não existe mais.

- Milagre! – grita o médico.
- Como assim milagre? Meu filho não tem mais nada?
- Teu leite abençoado, Sra. Sofia! Teu leite abençoado!

A notícia espalhou rapidamente pelos corredores do hospital, logo chegou nas ruas, nas casas, na escola, na Igreja.

- Deus te agraciou minha filha. Domingo rezarei uma missa em tua homenagem e a teu filho – diz o Padre.

A Igreja está lotada. Quase que toda a cidade está ali. Contagiante como as pessoas cantam em louvor ao filho de Sofia, quase como que ao filho de Deus. Sofia chora o tempo todo. É um dia agitando, todos querem cumprimentá-la. Já em casa, enquanto assiste a novela, a campainha toca. Um pequeno grupo de senhoras a chama.

- Sim.
- Sra. Sofia. Imploro a ti que ajude minha irmã. Ela tem a pressão muito alta. Ainda vai ter um derrame, que Cristo queira que não, mas a senhora... a senhora...
- A senhora quer que eu dê meu... leite?
- É.

Sofia sente pena das senhoras, entra, volta com seu leite fresco no copo. A senhora toma de uma vez. Tensão. Esperam. Esperam mais um pouco. Medem a pressão, ainda está alta. Nada funcionou.

- Com teu filho foi imediato?
- Mais ou menos?
- Tenho que beber no bico.
- É, isso mesmo! – grita uma senhora mais entusiasmada.
- Não... mas... - Sofia fala assustada.
- Você quer ajudar minha irmã ou não Sra. Sofia?

Sofia coloca seu belo e farto seio para fora da camiseta. A senhora mama, mama bem. Medem sua pressão. 12 por 09.

- Milagre!
- Você agora é a nossa Santa Sofia!
- Meu Deus... Eu não sou santa... não sou sant...

Pela manhã há uma fila de doentes de todos os tipos. Diabetes, enxaquecas, pedra na vesícula, úlcera. Sofia fica escondida em sua casa, com medo, abraçada ao filho. A notícia se espalha rápido pela região e chega aos ouvidos do Padre. Ele corre para a casa dela, passa pelas centenas de pessoas implorando o leite sagrado. Entra.

- Sofia.
- Padre, por favor, me ajude. Eu não sei o que fazer. Não é pecado acharem que eu sou uma santa? Eu não sou santa!
- Filha. Se isso é a vontade de Deus, então, Sua vontade deve ser respeitada.
- Essas pessoas devem beber o meu leite direto do meu seio e eu não quero a cidade inteira me chupando.
- A notícia se espalhou muito rápido, Sofia, tem gente enferma de toda a região e se o Senhor lhe deu esta benção você vai ajudar o povo. É seu dever!
- Padre. Não. Por favor.

Ele não lhe dá ouvidos. Coloca quatro beatas para ajudá-la na recepção, na limpeza e no cuidado com o bebê da nova santa. Um a um são atendidos 42 pessoas por dia e todos eles curados. As centenas de pessoas nas filas se tornam milhares. Pessoas de outros estados. Jornalistas do país inteiro desconfiando dos milagres e depois chocados com a verdade.

O catolicismo vê a fé renovada e novos adeptos pelo país.

O Padre, certeiro em suas escolhas, coloca barraquinhas para venderem suvenir e outras bugigangas católicas, quadros de Sofia e seu filho devidamente alterados no Photoshop para parecer uma autêntica santa. Santa Sofia. Não só cura realmente os doentes mas também multiplica o dinheiro na cidade, nos restaurantes e hotéis, alguns deles pertencentes a Igreja Católica. Aí sim, o Padre agora está feliz.

Sofia em seu momento de pausa, com seus bicos dos seios ardendo como se estivessem queimados, chora. Quer desistir mas como fazer isso já que a Igreja salvou seu filho e agora lhe explora? Ela não quer ser como Cristo e morrer pelos outros. A Igreja Católica a força a dar de mamar para a comunidade e ganha muito dinheiro com isso. Sofia não sabe como fugir. Ela abraça seu filho e volta para a santa labuta.

Um mês depois, Sofia perdeu 8 quilos e está pálida. As beatas a contragosto deixam ela descansar 8 horas por dia. Ela dorme como uma pedra neste tempo. Se alimentando apenas do que faz bem para o leite e emagrecendo cada vez mais. 

O Padre feliz da vida conversando com o contador de sua paróquia, decide pegar o dinheiro que tem – aquele que não enviou ao Vaticano – e mais um grande empréstimo no banco para comprar mais hotéis, mais restaurantes e mais lojas. Tudo em nome da Igreja. A cidade agora é dele.

Ele assina os papéis de compra no cartório e na saída sente um cansaço repentino, uma falta de ar, ela continua por todo o dia. Por toda a semana. Ele sente-se cada vez mais cansado. O Padre vai ao hospital e o diagnóstico sai uma semana depois, ele tem uma doença degenerativa no pulmão esquerdo. Sua morte é eminente e certa.

- Santa Sofia, só a senhora pode me ajudar.

O Padre passa por todos na quilométrica fila, entra na casa e surpreende-se quando a vê. Sofia atendeu o dia inteiro, sua palidez e magreza assustam. Não é mais a bela mulher de antes.

- Acho que é a minha vez de ser ajudado agora.
- Eu estou exausta, Padre.
- Um a menos ou um a mais não faz diferença. A cidade precisa de mim agora tanto quanto precisa de você, Sofia. Santa Sofia. Eu estou doente e preciso do teu leite.
- Eu não quero morrer assim. Por favor me tire daqui.

O padre ajoelha em frente a nova santa.

- Eu é que não posso morrer, Sofia. Não agora. Se isso acontecer a Igreja cairá. Você quer que a nossa Igreja caia, mulher? Nós temos você como nossa Santa particular. Não me desaponte . Eu que abençoei tuas tetas agora eu preciso delas.
- Até... até a minha... minha morte?
- Se essa for a vontade do Senhor.
- Não é possível que Deus não fale desse jeito, é o senhor que quer que eu morra.

Sofia coloca seu seio esquerdo para fora, não é mais bonito como antes, limpa o bico muito dolorido e espera a boca do Padre. Ele com nojo limpa mais uma fez e chupa. Afasta assustado.

- Nada – ele diz.

Ele tira o outro seio para fora do vestido e sem limpa-lo mama.

- Não. Não. Não.

O Padre aperta as duas tetas de Sofia e nenhum pingo de leite cai.
Sofia sente muita dor pelo aperto do Padre mas um grande alívio que terá sua vida de volta.

- O leite secou – grita uma das beatas correndo para fora para espalhar a nova notícia.

O Padre desolado levanta, cansado, no fim da vida, pensando em quanto está fodido com o banco e com o Vaticano, fala:

- Eu te excomungo, sua vadia.

E ele sai atordoado e cansado.

A decepção das milhares de pessoas egoístas que queriam sua salvação que não vem mais. Os romeiros ganharam dinheiro, os donos das barraquinhas ganharam dinheiro, os hotéis e restaurantes também, a Igreja Católica ganhou e perdeu muito dinheiro. Foi bom enquanto durou.

Depois de um tempo, quando já tem forças o suficiente, Sofia coloca tudo que pode dentro de sua mala e com seu filho no colo, sadio e vivo como nunca, vai para a rodoviária pegar um ônibus só de ida para o interior de outro estado ao sul do país. Ela é seguida por alguns que ainda acham que ela é uma santa e por outros que dizem que foi ela quem afundou a cidade em dívidas. Ela entra no ônibus, da porta, olha para trás e diz para quem quiser ouvir o mais alto possível:

- Vocês disseram que Deus me agraciou mas foram vocês que me prostituíram!

Sofia Tucci entra no ônibus que parte para que ela seja feliz longe dali.  



(Gilberto Caetano)

28.12.10

FOTOGRAMAS

Uma pequena observação fotográfica que tenho do mundo.


Mais fotos minhas em:


Fotos tiradas em Arraial do Cabo/RJ, 2010.  




















24.12.10

* * *

Algumas palavras contra o mundo

E o mundo nem liga, fica mudo

Enquanto estou entre as tuas coxas

Escrever parece mais fácil, rápido

Ostras pelas ruas quando volto pra casa

Nem tudo está em seu devido lugar

Quem sabe, eu não”

Algo a ser testado, camuflado e importado

Porque a coragem às vezes não corre por estas terras

Enquanto estou entre as tuas cochas

As coisas parecem se mover, parecem obedecer

Se duas palavras rolaram de sua boca

Caíram em minhas veias, direto pela artéria

Tornando minha matéria inerte

Invertendo qualquer solução

Eu poderia ser qualquer outra coisa

Mas não enquanto estou entre as tuas coxas

Veja também:

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