5.10.10

(Conto): HORROR EM SANTO ANDRÉ

Existem algumas histórias que deveriam ficar escondidas no quartinho escuro de nossas mentes. Mas  elas ainda correm por aí e com um pouco de sensacionalismo de minha parte, peço que pare de ler este conto se sentir-se enojado ou uma indignidade querendo agir como Dexter e seu senso de justiça desajustado. Esqueça. Já o fizeram.

É como se estivesse acontecendo agora, sem aviso. Numa noite sem dia ou mês, apenas em 2009, mais uma ocorrência que o SAMU é chamado e tem que cortar rápido as ruas de Santo André, na Grande São Paulo, até uma casa, a mais bonita da rua. Os dois SOCORRISTAS (um jovem homem e uma mulher com mais de 10 anos de profissão) batem palmas, chamam, gritam e uma voz rouca angustiada responde que o portão está aberto. Eles atravessam um corredor, o quintal, estreito e mal iluminado. A porta de entrada da casa é na cozinha, cômodo grande. Há alguns pingos do que parece ser sangue no azulejo engordurado e pelo chão, uma faca jogada sobre a pia também com sangue.

- Senhor? Onde o senhor está? - perguntam os Socorristas.

O cômodo seguinte da casa, um lavabo, está com a porta trancada.

- A porta está trancada.
- Senhor? Foi o senhor quem chamou o SAMU?
- Abra a porta.
- Foi o senhor quem chamou?
- Eu queria... espera... –  murmura o homem.
- Abre, senhor.

Porta destrancada. A socorrista empurra a porta.

- Santo Cristo.

A pia está toda coberta de sangue. O lavabo é pequeno. Sobre a pia há um grande espelho na parede que chega quase até o teto. Ele vê um homem refletido no espelho, com cerca de quarenta e poucos anos, em pé com a calça abaixada até os joelhos e um bebê morto nas mãos.  

Os socorristas o arrasta para a cozinha e colocam o bebê sobre a mesa. Este homem, em um ataque de desejo incontrolável, estuprou sua filhinha de 6 meses de idade, o pênis rasgando a minúscula vagina. A dor refletida no rosto da nenê. O maldito pênis esmagou seus órgãos. A bebê morta ainda está com o pênis dentro de si, por isso o sangue no chão, ele tentando tirar o cadáver de seu instrumento de tortura. Morta presa ao pai. Os socorristas não conseguem tira-la e os levam para o hospital.

Na parte de trás da ambulância, o homem deitado na maca, aguardando ansioso para que o livrem do peso.

- Não era pra mim ter feito isso – diz o homem quase chorando, quase implorando, querendo se passar por um quase coitado.

No hospital, ele é carregado numa maca, um lençol branco sobre seu corpo manchado de sangue. Ficam numa sala, esperando. 

Dois policiais militares, um SARGENTO e um CABO, chegam para averiguar a ocorrência. A essa altura todos no prédio sabem sobre aquele monstro. Uma revolta, medo de tumulto, de justiça pelas próprias mãos. Os policiais vão até a sala com médicos e enfermeiras. Ao entrar na sala, o Sargento pede para que uma delas tire o lençol. O Cabo fica transtornado, tomado por uma dor insuportável que comprime seu coração e sua mente, a sala parece sem oxigênio e a única forma de voltar a respirar é cortando essa terrível contenção a bala. Ele dispara dois tiros na cabeça do estuprador e mais um no pescoço. Ninguém quis impedi-lo, ninguém no hospital se assusta com os três estampidos.

            O maldito está morto, como a inocente filhinha ainda presa. O Cabo está em estado de choque. Será afastado permanentemente por problemas psiquiátricos. Uma história baseada em fatos que realmente aconteceram e que poderia ficar esquecida, mas ela ainda corre por aí. 


(Gilberto Caetano)

...

28.9.10

* * *


Uma semana atrás aquela garota achava que tudo seria possível
Mas aquilo foi apenas uma fagulha de esperança
E aí ela se perguntou: Qual é o meu valor?

- Sei lá – diz o inconsciente – quem pode medir isso?
- Foda-se – diz consciente.

Pensativa com sua crise existencialista padrão sua mãe a interrompe, a encara e com uma incrível sensibilidade fala:

- Tudo que eu sempre odiei na minha vida você é, isso é deprimente.

A garota conclui que não precisa de mais duas semanas de vida. 



14.9.10

* * *



De sua boca rolaram duas palavras, escorregaram entre seus seios e deitaram sobre seu ventre

Duas palavras que entraram direto para a corrente sanguínea dele

Tomara que para sempre. 

8.9.10

Маркер: Ago/Set

        Terror em 30 Segundos                Y – O Último Homem (3)  
Zoom Magazine                                  Magic – The Gathering                
                                                   Franz Ferdinand
Hitchcock       Projeto Integrado       Vagalume Rosa        Trident        
          A Calda Longa   
          TdC           Metallica              Edição                   
Ex Machina              Dexter               Jamac Cinema Digital      
           Queen + Paul Rodgers 
           Sin City 3000  Feriado/Chuva            Story                                                              Fun Home

31.8.10

(Conto): APOSTAS


        Dia chuvoso, o PlayStation de MARCOS WINTHERKING SILVA já está cansativo, sem dinheiro, o dia dos namorados está se aproximando, ele lembra que não tem uma namorada, e isso é um problema. E não é o único, tem conta de telefone, conta de luz, conta de água, conta disso, conta daquilo. Que merda! De volta ao vídeogame, mas ele já terminou os 10 jogos que tem. Não tem nem dinheiro para alugar um filminho pornô para passar o tempo, comprar uma pipoca e chamar algumas amigas safadas. Ele gostaria de ter algumas amigas safadas. Marcos está só.
Quando desliga o game, na TV passa o telejornar da tarde. A repórter, tão atraente que deixa Marcos excitado – para ver o quando ele está desesperado – ela anuncia os números da Mega-Sena: 13/17/21/24/27/43. Isso deixa o prêmio acumulado em 45 Milhões de Reais.
Ele ouviu mesmo 45 milhões, o quê se pode fazer com isso? É mais fácil perguntar o que NÃO PODE fazer com tanto dinheiro. Ele pega sua carteira, tem 2 reais. Veste uma blusa, pega o guarda-chuva e sai. Anda dois quarteirões até a Lotérica, vê a placa na entrada que confirma, 45 Milhões, em um balcão tem os bilhetes para marcar os números, ele pega uns 50 e volta para casa.
Ele pensa em vários números e combinações. Números de ônibus que já pegou, datas de aniversário. Todo que pode imaginar, até a quantidade de punhetas do dia anterior. Escolhe os 7 primeiros números, 20 minutos depois mais 7 para o segundo jogo e 7 para o último. No verso dos bilhetes tem algumas explicações, ele lê essas informações, 6 números por 1 real e 50, dá para fazer apenas 1 jogo, 1 jogo apenas com 2 reais. 2 horas para tirar 1 de 7 números. Feito isso, Marcos lê as probabilidades de ganhar a Sena: 50.063.860 para 1. A Quina é 154.518 para 1 e a Quadra é 2.332 para 1.
Eu tenho que acertar pelo menos a QUADRA, pelo menos a QUADRA!!!”
Marcos pega sua blusa, o guarda chuva, e sai para a rua de volta a Lotérica, são 2 quarteirões e quando atravessa a primeira rua e vem um carro... quase, mas por muito pouco mesmo, Marcos não é atropelado. “É o diabo não querendo que eu ganhe!” Ele vê isso como um sinal. Quando ele atravessa a última rua para chegar a Lotérica... BBBBRRR RROOOO OOOOOMMM MMMM !!!!!!!!!!!
1 raio fulminante o atinge na cabeça, em cheio, em segundos está com o corpo todo queimado, tostado como frango de padaria. Se ainda estivesse vivo ele pensaria: Qual a probabilidade de um Raio acertar a cabeça de um homem de 50 anos quando este vai a lotérica?
Probabilidade de ser atingido por um raio: 1 em 576.000
           Probabilidade de morrer atingido por um raio: 1 em 2.320.000

Marcos sortudo...



(Gilberto Caetano)

25.8.10

* * *



       A inspiração está em todos os lugares.
       Na música que você escuta.
       No livro ou revista que lê.
      É apenas pegar essas partículas que estão por aí, pelo ar, juntá-las.
      Formar um pequeno espetáculo para que se divirta sozinho em seu quarto.

       Mas rápido.

      Atrás vem outro que pode pegar essas mesmas partículas. Juntá-las.
      E formar um pequeno espetáculo para que você se divirta ainda sozinho.

       E morder-se de raiva por não ter feito isso antes.


10.8.10

(Conto): S.O.

Eu não vou mastigar as coisas para vocês. Tudo é simples, mais simples que um riff de duas notas. A língua passa rápido como cantar uma letra de duas páginas e isso é legal, é cool.

Tem que se saber o que está fazendo, precisa muito que ambos sejam sacanas. Inventar, coreografar. Não importa o sexo, homens, mulheres e afins, todos tem suas chances.

Para isso não importa o local, depende da cara-de-pau. É risco de vida. São germes e vírus se acumulando rapidamente na saliva.

Dedos são úteis, meu bem, escute o que eu lhe digo. Sem ou com plásticos em contato. Os movimentos, mãos, cabeça e quadril. O gosto salgado na língua. Quando o personagem vem, aproxima, vai com calma para reconhecer terreno e se empolga como um motor acelerando. Êxtase para o fim. Todos podem ter esta oportunidade.

Esta é uma história sem personagem, não, deixe-me corrigir, com personagens sem identidade, uma crônica que dura minutos, muito movimentada, com muita ação, uma mística boa de verdade. S.O. foi inventada para deixar as pessoas mais felizes.

PS.: E sem diálogos neste momento, por favor, até que tenha terminado.



(Gilberto Caetano)
...

27.7.10

* * *

Até para se mendigar,
o mendigo precisa ter carisma para receber uma moeda

ou

Mendigo sem carisma não recebe moeda.

Veja também:

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