23.6.09

(Conto): A FAMÍLIA CUNHA


JORGE
- Mãe?!? Mas Que Merda É Essa?!?
DADINHA
- Calma, filho! Calma Jorginho!
JORGE
- Jorginho o cacete, mãe! Que porra é essa?
GISELE
- Foi ela que começou, amor.
DADINHA
- Cala a boca, vaca.
JORGE
- Mãe! Você Estava Beijando A Minha Namorada Na Boca!!
GISELE
- Foi ela que me seduziu.
DADINHA
- Eu te seduzi, vadia?
JORGE
- Larga, ela mãe! Larga ela!
GISELE
- Ai, meu cabelo!!! Ai, ai!!
(...)
JORGE
- Eu sou o corno aqui e eu sou o mais calmo?
(ele respira fundo)
- Faz quanto tempo que vocês fazem... fazem...?
GISELE
- Que nós estamos ficando? Duas semanas.
JORGE
- Duas semanas...
GISELE
- Antes, já tinha rolado uns beijos, mas foi nessas duas semanas é que as coisas se intensificaram.
JORGE
- Intensificaram como?
DADINHA
- A gente começou a transar, filho.
JORGE
- Hã... ééé... hã... putz... ééé... humm....
DADINHA
- Calma, filho.
JORGE
- Hã... Você prefere transar comigo ou com a minha mãe?
GISELE
- É diferente, Jorge. Eu gosto do seu pau, mas a tua mãe me seduziu de um jeito... e ela também é uma coroa gostosa... conhece bem os caminhos da xoxota eeee...
JORGE
- Eu não sabia que a senhora conhecia tão bem assim os caminhos da xoxota.
DADINHA
- Eu gosto mais de mulher do que de homem. Desculpa, filho. Sou assim.
JORGE
- Quando o meu pai visitava a gente, eu sempre te via transando com ele.
GISELE
- Que perversão isso.
DADINHA
- Na verdade foram poucos os homens com quem eu transei. Teu pai era gostoso e só.
GISELE:
- Só falta você me dizer que se masturbava olhando sua mãe e seu pai metendo.
JORGE
- Já fiz isso.
GISELE
- Eu namorava um pervertido. Dadinha??
DADINHA
- Eu sabia.
JORGE
- Sabia?
DADINHA
- Quanto eu percebia que você estava olhando, aí que eu pulava mais forte no pau do seu pai. Também já te peguei se masturbando no banheiro vendo revista de putaria.
GISELE
- Você não tem vergonha de se masturbar pensando na sua mãe?
JORGE
- Minha mãe é muito gostosa, você sabe disso. Já provou.
GISELE
- É. Tem razão.
JORGE
- Você já ficou com outra namorada minha antes, mãe?
DADINHA
- Claro que não, Jorginho! Tua outras namoradas eram horríveis. A Gisele é a mais gata que você pegou.
GISELE
- Obrigada, Dadinha.
DADINHA
- E é verdade, Gisele. E eu já te disse isso: que você é bonita, inteligente...
JORGE
- Pô, não beija na minha frente, mãe... Mãããe...
(...)
DADINHA
- Como fica a nossa situação?
JORGE
- Está na cara que vocês duas vão continuar transando.
GISELE
- Eu também gosto tanto do seu pau, Jorge. Não queria perdê-lo.
JORGE
- Eu também gosto da sua xota, Gisele.
DADINHA
- É gostosa, não é? Você já chupou o grelinho dela?
JORGE
- Já, mãe.
DADINHA
- É boa, não é?
JORGE
- Ééé, mãe.
DADINHA
- Desculpa eu ter batido em você, Gisele.
GISELE
- Tudo bem.
DADINHA
- Você gosta, não é, Jorginho? Você faz essa pose de namorado traído mas no fundo você gosta. Corninho.
JORGE
- Gosto.
GISELE
- Daqui a pouco você vai ficar nos observando, como fazia com ela e seu pai... e ainda vai se masturbar!
JORGE
- Possivelmente.
DADINHA
- Por que você não se muda aqui pra casa, Gisele?
GISELE
- Sério?
DADINHA
- Muito sério. O quê você acha, Jorginho?
JORGE
- Sei lá... pode ser... A única coisa que eu acho que eu não vou agüentar é ver vocês duas transando e eu me masturbando sem fazer nada. Minha vontade vai ser de pular na cama com vocês.
GISELE
- Isso não é muito pervertido?
DADINHA
- A gente se acostuma.
GISELE
- Peraí. Mas você só vai transar comigo ou com a sua mãe também?
JORGE
- Minha mãe é tão gostosa...
GISELE
- Isso é perversão pura!
DADINHA
- Vamos continuar essa discussão aqui ou no quarto?
JORGE
- Onde você quiser, mãe. Onde você quiser.

(Gilberto Caetano)

17.6.09

(Conto): O AMOR CORRÓI



Existem certas coisas que pensamos serem impossíveis, em que neste nosso século, há pessoas dispostas a qualquer coisa pelo amor. Muito bonito, né? CRISTIANE CABRAL mora em uma cidade do Grande ABCD, garota sincera e apaixonada por seu patrão. Ela, extremamente tímida, não consegue dizer duas palavras sem gagueja e não mais do que duas. Sempre.
- Você pegou aqueles sapatos no estoque?
- S-sim... ééé...
Mas Cristiane é legal. Possui grandes amigas na loja de sapatos em que trabalha. Uma família protetora. E um início de depressão. Uma angustia crescente em teu estômago. Cansada de não conseguir falar mais de três palavras para o homem que está apaixonada, procura uma Mulher, que se diz mãe de santo e detentora de poderes para conseguir o amor de sua vida, como diz o folheto que Cristiane pegou na rua, entregue por uns desses meninos mal vestidos e necessitando de grana.
- Minha, fia, relaxa que o amor desse homem é teu, só fazê direitin u qui eu dissé: Pega um bife, dá umas marteladas até ficá macio, passa mel, escreve teu nome num papel, o nome do cara que cê qué e enrola os dois no bife bem enroladinho e envia na xana.
- Na vagina? Tem certeza?
- Oxê, muié! Se não botá fé, num funciona. Cinquenta pau.
Cristiane depois da consulta passa no supermercado comprar os ingredientes do feitiço. Ela trabalha na loja de sapatos por uma semana esperando que surja algum resultado. Seu patrão não aparece na loja por duas semanas. Quando ela pergunta porque, o gerente lhe responde que ele está de férias viajando com a família.
Num dia, num almoço ordinário de todos os dias, a mãe de Cristiane sente um cheiro de podre, procura na casa, pelos quartos, atrás de algum rato ou outro bicho qualquer morto por algum cômodo da casa. No almoço, Bife Rolê, Cristiane levanta com enjôou. Ela pára de trabalhar e tranca-se em seu quarto. Um mês depois o cheiro podre está forte em toda a casa. Em mais um mês a podridão está nas casas vizinhas. A mãe procura a fonte do odor por todo canto até chegar a porta da filha. A origem está ali e a velha pressiona a filha para dizer o que está acontecendo, já que vem do seu quarto. Ficar agora ao lado de Cristiane é insuportável.
Ambas vão ao ginecologista. Quando Cristiane deita-se para ser examinada, o médico vomita ali mesmo, na primeira olhada. Há bigato por fora e por dentro da vagina. O horror, o horror, como diria o coronel Kurtz se visse aquilo na selva. A operação foi imediata. Os bigatos já estavam corroendo por dentro. É retirado o útero, as trompas e os ovários e mais metade do intestino.
Seus amigos e colegas de trabalho nunca souberam se Cristiane está viva ou morta. Já que a infecção atingiu sua corrente sanguínea. Ela e a família sumiram depois das operações. Seu patrão nem percebeu que perdeu uma das funcionárias. A vida arruinada por uma mãe de santo fajuta não disse a Cristiane quanto tempo tinha que ficar com a “macumbinha” dentro de si?

Ah... e toda vez que você comer um belo Bife Rolê, lembre-se de Cristiane Cabral.


(Gilberto Caetano)

9.6.09

* * *

Colaboração de Thais S.

- Precisamos de dinheiro.

- É.

Thruuuumm.

- Alô? Sim... hããã... não, obrigada. Não. Não estou interessada.

- Quem era?

- Um cara querendo me dar um emprego lá em São Miguel Paulista! Quem oferece emprego numa Sexta, cinco horas da tarde?!

- Pra começar quando?

- Segunda de manhã.

- Sacanagem isso. Cara sem noção.

- Abre uma cerveja pra nós.

Tsssssss.


29.5.09

(Conto): FRANGO FRITO

com alguns palpites de Thais S.
           
         Dentro de uma casa comum, pequena e frágil estão dois namorados: GUSTAVO, escrevendo no computador na sala de estar, e MARINA, preparando o almoço na cozinha. Um casal de 24 anos cada, apaixonados. Ela vai para a sala de estar iniciar um diálogo corriqueiro.
            - O que você está fazendo?
            - Escrevendo diálogos – ele responde sem lhe dar muita atenção.
            - Pra quê?
            - É um roteiro e para se fazer um roteiro precisa de diálogos.
            - Não necessariamente se for um filme mudo. 
            - Mesmo assim tem a placas – Gustavo fala ainda concentrado no monitor. 
            - Mas são poucas.
          - O quê você estava fazendo, querida?
- Fritando frango para o almoço.
            - Então por que você não continua?
Silêncio. Frango demora muito para fritar no óleo. Marina fica impaciente. Ele tenta se concentrar para o roteiro. Ela grita da cozinha:
            - Sobre o quê é o diálogo?
            - Sobre um casal conversando – ele pára de escrever.
            - Sobre o quê?
            - Sobre um casal conversando... cacete...
            - Eu ouvi o cacete, viu? – Marina fala voltando para a sala e continua – Onde é a conversa? 
            - Em uma casa. Comum, pequena e frágil.
            - Sobre o quê esse casal conversa?
            - Sobre como se frita um frango.
            - Que ridículo!! – Marina diz rindo.
Gustavo fica levemente irritado. Pára de escrever, encara a parceira querendo enforcá-la.
            - Então eles conversam sobre o quê, Marina?
            - Sobre filmes. Ela fala sobre os filmes que gosta e ele dos filmes que ele gosta e discutem como gostam de filmes ridículos.
            - Vai fritar o frango, querida.
            - Esse seu roteiro de curta-metragem... é um curta ou um longa?
            - Curta.
            - Este é o roteiro do pior curta-metragem que você já escreveu.
            - Senta aqui e escreve pra mim, Marina!
            - Escreve sobre as Mensagens Subliminares dos filmes da Disney.
            - Quem se importa com isso?
            - Quem se importa com um casal falando sobre como se frita um frango? Qual é o título?
            - É provisório.
            - Qual é o título, Gustavo?
            - “frango frito”.
            - O quê? Fala alto.
            - “Frango Frito”. 
Ela cai em uma gargalhada gostosa por quase um minuto. 
            - É... isso tá uma merda.
            - É, Gustavo. Tá uma merda. 
            - É.
Um permanece olhando para o rosto do outro. Gustavo está estático. Definitivamente “Frango Frito” não é uma boa história. 
Marina insiste:
            - Escreve um roteiro sobre um casal que está em uma casa, como a minha, e... é um suspense. Tem um ladrão na casa e o casal fica caçando esse ladrão e o ladrão fica atrás deles também. O quê você acha?
            - Eu vou deixar de escrever roteiros.
            - Por quê? Minha idéia é boa. Além do que, essa é a única merda que você sabe fazer.
            - Isso magoa, amor.
            - Minha idéia é boa. Escreve. Mata a namorada no chuveiro como em “Psicose”.
            - Talvez deveria matar com um pedaço de osso como em “2001”.
            - Não! Como em “Psicose”.
            - Isso não tem nada de original!
            - Nada do quê você escreve é original mesmo.
            - É a segunda vez que você me magoa, Marina. Eu não quero mais você. Você não me ajuda em nada!
            - Foda-se – ela grita. 
            - Foda-se?
            - É. Foda-se. Você, teu roteiro, tua falta de criatividade e tua mãe.
Ele levanta da cadeira rapidamente agindo como um verdadeiro macho.
            - Minha mãe não!!
            - Eu odeio a tua mãe.
            - Como odeia a minha mãe?
            - Tu é surdo? Idiota? Fica me repetindo! QUE CARA CHATO!!!
            - E o que você odeia na minha mãe?
            - Ela não te abortou.
Silêncio após a piadinha sem graça.
Mais silêncio.
Casal sem assunto.
Nem se olham.
Isso está chato.
            - Tá a fim de transar? – Marina quase implora. 
            - Só se você me chupar – Gustavo diz com um sorriso safado.
            - Me chupa primeiro.
            - Fazemos um 69... Não. Isso me dá náuseas – ele diz.
            - Náuseas? Minha xoxota te deixa com náuseas?!? 
            - Sim e não. Eu fico com o meu nariz na tua bunda nesta posição e eu não gosto disso.
PLAFT. Tapa no rosto dele.
            - Sai da minha casa – ela grita.
Gustavo abaixa a cabeça, sai de perto dela. Põe as mãos no bolso. Fica parado na porta esperando que ela o chame ou se arrependa, tenha qualquer reação positiva.
            - O frango frito tá pronto, Marina?
Ela vai para a cozinha, mexe um pouco os pedaços com a espumadeira.  
            - Tá pronto.
            - Posso comer antes de ir?
            - Pode.
Ela coloca os pedaços em uma grande tigela de porcelana, sobre guardanapos para absorver o óleo. Depois de esfriar um pouco Gustavo pega um pequeno pedaço. O come.
            - Esse frango me lembra você – ele diz.
            - Como? Gostosa?
            - Sem graça. Sem gosto. Mas bom de comer. Não tenho muitas opções de comida.
BBBAAAAMMMMM. Ela atira na perna dele.
            - AAAAAARRGH!!! DA ONDE VOCÊ TIROU ESSA ARMA!!
            - Do rabo do frango.
BAM. Atira no saco dele.
            - AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARRGH!!! DOEU!!!!!
BAM. Atira no pinto dele.
            - PORRA!!!! QUE MIRA DO CARALHO!!!!!
BAM. Ela atira na cabeça dele.
            - Morreu, canalha?
            - ...Q-Quase...
Bam. Bam. E Bam. Acabam as balas.
            - E AGORA? MORREU???
            - ...n-não...
Marina furiosa pega um Facão – bem afiado por sinal – e o retalha em 450 pedaços.
            - MORREU?????
A mão dele decepado faz um gesto de não e ainda mostra o dedo anular.
Ela pega os 450 pedaços do que era Gustavo, os coloca em um grande caldeirão, joga o óleo que usou no frango e mais todo o óleo que tinha em casa e o frita.
A campainha toca. Ela atende. É uma de suas amigas. Jaqueline. Se cumprimentam beijando no rosto e se abraçando. Uma amizade carinhosa como se nota. 
            - Desculpa chegar sem avisar, Marina...
            - Que nada! Você pode me ajudara arrumar a cozinha antes do almoço.
            - Sem problema. Cadê o seu namorado?
            - Sumiu. 
- Legal. Humm. Que cheiro bom é esse?
            - Frango frito – Marina fala orgulhosa de seus dotes culinários. 


(Gilberto Caetano)

27.5.09

* * *


- Sabe por que eu nunca tive filho?
- Não.
- Medo de que ele nascesse com a minha cara.
- Tem que torcer pra ele ser bonitinho enquanto criança. Você era bonitinho?
- Era.
- Criança feia, quem tem vergonha são os pais, depois que cresce o problema é dele.


15.5.09

O ESQUEMA GERAL DA VIDA #05

HU-HUM

Eles chegam ao Mutreta Comidas Típicas, só para mudar um pouco de restaurante.

GARÇONETE: Pois não?
CURIATI: Uma Vaca Atolada para três.
A garçonete anota o pedido e sai.
CINTIA: Sai do cinema, em silêncio, como eu sempre faço. Aí no banheiro tinha uma moça que estava na mesma exibição que eu. Ela disse: Você sente muito mais o livro. A outra mulher disse: É muito mais pesado.
CURIATI: O Fernando Meirelles pegou leve, é?
CINTIA: É.
GONZALO: Não era pra ele fazer esse antes de “Cidade de Deus”?
CINTIA: Ele disse que era. Talvez antes ele teria feito mais denso ainda.
GONZALO: Mas o que você achou do filme?
CINTIA: Pra mim, sei lá, parece que o filme poderia ser melhor. Eu não me senti incomodada, nem nas cenas de estupro. Nem quando os cachorros comem o cadáver. Ele poderia fazer um filmaço. Parece que teve muito respeito ao material original.
GONZALO: Eu assisti Sicko.
CINTIA: E aí?
GONZALO: É bom. Às vezes parece meio forçado mas o Michael Moore é um dos únicos caras que cutucam os norte-americanos e isso já vale. Os “heróis” do 11 de Setembro indo para Cuba para se tratar é foda. E as comparações?
CINTIA: Sabe que eu achava? Que como Michael Moore compara quase sempre o Estados Unidos com o Canadá e é na verdade um plano da direita para que nós, possíveis imigrantes vá para o Canadá e não pra lá.
Eles riem. Menos Curiati que apenas esbouça um sorrisinho tímido.
CINTIA: Tá quieto hoje, Curiati.
CURIATI: É que... nada.
CINTIA: O que aconteceu?
CURIATI: Eu estou enjoado de cinema.
CINTIA: Hum.
CURIATI: Talvez eu comece a assistir alguma série.
GONZALO: Twin Peaks.
CURIATI: Não aguento o Lynch.
CINTIA: The L World? Dexter? House?
CURIATI: Hu-hum.
CINTIA: Você está um saco hoje.
Curiati pensa um pouco e levanta. Vai embora sem olhar para os amigos. Cinta e Gonzalo se olham.
CINTIA: Ué?
GONZALO: Ele tá assim porque tomou um fora da Pernele.
CINTIA: Aquela mina chata que trabalha junto com ele?
GONZALO: Hu-hum. Ô, garçonete! A nossa Vaca Atolada é só pra dois agora, tá?
Cintia fica quieta por um tempo, sentindo um pouco de ciúmes e talvez feliz por Curiati ter tomado um pé-na-bunda.

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