14.9.12

8.9.12

* * *


As moscas hoje são mais lerdas

Talvez sejam as células cancerígenas que flutuam pelo ar.


...  

5.9.12

30.8.12

* * *


Vai ver

Que a vida após a morte

Foi criada por uma mulher e por um homem

Parece uma motivação

Para que simples personagens

Não cometam um suicídio coletivo.



...





27.8.12

* * *


Há uma grande dificuldade

Em acreditar que cada choro na TV é verdadeiro

Que a polícia descobre os culpados

Que o repórter/editor traz a informação completa

A verdade continua fora da telinha

Caminhando pelas ruas

Se escondendo dentro das casas.  




...

24.8.12

FRAME: Um Fechar de Olhos, 2003.

O primeiro curta que co-dirigi. Não gosto dele, a direção de atores é muito fraca, o roteiro com final estúpido.
Mas valeu pela experiência.
Este é o segundo filme do coletivo NÚCLEO COM-OLHAR do qual fiz parte.



Sinopse:
Ficção, vídeo digital, conta a história de uma mulher que ao entrar e sentar em um ônibus urbano, impede que um coletor de lixo, sente ao seu lado, aflorando as diferenças sociais entre os passageiros. 


... 

21.8.12

FRAME: Nascido Para Matar, 1987.


NASCIDO PARA MATAR
Dir.: Stanley Kubrick
(Full Metal Jacket, 1987)

Se não fosse por este filme, talvez eu não continuaria estudando cinema, talvez não estaria escrevendo neste blog. Como às vezes a arte pode realmente mudar os caminhos da vida de uma pessoa.

Em 2003, durante as filmagens do primeiro curta que co-dirigi (junto com Arnaldo Malta), chamado "Um Fechar de Olhos", a primeira experiencia como diretor e tão estressante. Equipe grande, elenco grande, dezenas de figurantes. Aprendi com o Diogo Gomes dos Santos que "um diretor sempre deve mostrar para a equipe o que quer, senão perde a equipe, mesmo se estiver errado". Três dias de gravações.

Estava preste a desistir do audiovisual.

Foi quando, em uma das locação existia uma "Feira do Rolo", onde encontrei um cara que vendia VHS velhos. Estava procurando "O Iluminado", que como sou fã de filmes de terror, me disseram que este era um clássico. O cara do VHS não tinha esse mas ele disse:

- Tem esse aqui que é do mesmo diretor.

Me deu uma cópia de "Nascido Para Matar". Comprei. Cheguei em casa. Assisti.

O filme é dividido em dois atos: primeiro o treinamento militar e o segundo a guerra do Vietnã.

Pra mim aquilo refletiu na minha vida: primeiro ato aprender como fazer o audiovisual, segundo ato produzir pelas próprias pernas. Guerra = Mercado. As analogias com este filme vão longe pra mim. Sem ele não estaria escrevendo esta linha.    

Desde então, Stanley Kubrick passou a ser um dos meus cineastas favoritos, ainda mais depois que assisti todos os seus filmes lançados no Brasil. 

Cenas do filme:



... 

18.8.12

(Conto): O GAROTO PARDO


           Rodrigo está nervoso. É a primeira vez que preenche uma ficha de trabalho. Sentado em uma cadeira tipo escola, um papel e caneta azul.

            Nome: Rodrigo Oliveira. Sexo: Masculino. Nascimento: 15/09/1995. Cor:?

            - Moça? Desculpa, moça? Moça?
            - Oi, fala.
            - Pra preencher aqui. Eu estou confuso.
            - Que item?
            - Na cor. Tem duas opções.
            - Sim. Deixa eu ver. É, tem duas opções. E dái?
            - Eu marco o quê?
            - Hã?
            - Aqui tem apenas branco e negro. Mas eu sou claro demais pra colocar negro e muito escuro pra ser branco.
            - Escolhe um.
            - Mentir na ficha. Como eu vou conseguir um emprego aqui mentindo na ficha?
            - Essa ficha é padrão. Vem lá da Alemanha.
            - Na Alemanha só tem branco e negro?
            - Não sei. Nunca fui pra Alemanha.

            A recepcionista chama pelo telefone interno da empresa um cara do Departamento de Recursos Humanos.

            - O que aconteceu aqui?
            - Esse garoto está preenchendo a ficha e não sabe que cor colocar.
            - Como assim, garoto?
            - Aqui só tem branco e negro.
            - Que cor está escrito na sua certidão de nascimento?
            - Pardo.
            - Pardo. Cor de envelope – diz rindo a recepcionista.

            O garoto fica sem graça.

            - E o que eu escrevo?
            - Essa ficha é padronizada nas empresas de todo o mundo. Vem da matriz na Alemanha.
            - Ela me disse isso.
            - Pra mim ele é moreno – diz a recepcionista.
            - Não tem moreno na ficha, moça.
            - Ele é quase branco – ela fala novamente.
            - Eu não sou quase branco.
            - Ele tem razão. Darcy Ribeiro... já leu algum livro dele, garoto?
            - Nem sei quem é.
            - Ele escreveu um livro, O Povo Brasileiro, diz que o mestiço é assimilado ao branco para que deixe de ser negro. Nós fazemos isso aqui. Você é negro. Pardo e negro.  
            - E se eu fosse japonês ou chinês? Aqui não tem isso também.
            - Sabe, garoto, você é o primeiro que questiona a ficha. É contra o estatuto da empresa aceitar pessoas questionadoras e sinceras, mas eu gostei de você.
            - O emprego é meu?
            - Yep.
            - E o que eu vou fazer?
            - Trocar as garrafas de água de todos os andares.
           
            E o garoto saiu contente com o seu 1º. Emprego.  


(Gilberto Caetano)

... 

Veja também:

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