2.11.10

FRAME: Como Declamar Drummond, 2004

Em 2003 foi proposto como exercício do Núcleo de Cinema e Vídeo COM-OLHAR com o objetivo do grupo dividir-se em duplas e produzir quatro curta. Minha parceria foi com Thais Scabio (na época éramos apenas amigos). Eu já havia dirigido dois curtas (Um Fechar de Olhos e Ecos do Ecocine) com estreia marcada para aquele ano e estava empolgado para fazer o primeiro curta com todas as decisões criativas também minhas. Queríamos homenagear de alguma forma Carlos Drummond de Andrade e Charlie Chaplin e o curta se chamou Como Declamar Drummond.


Produzimos inteiro dividindo todas as funções entre nós dois. Um dia antes da filmagem, ainda faltava um ator para um dos personagens. Eu estava andando pela rua no centro da cidade para ver se encontrava algum ator perdido disposto a trabalhar de graça no curta, não encontrei e liguei de um orelhão para a Thais, achando que ela teria alguma solução e neste mesmo instante, vi passando do outro lado da rua, Rafael Trevigno. Desliguei o telefone e fui correndo falar com ele, ele aceitou o convite. Com uma câmera Super-VHS emprestada do “chefe” Diogo Gomes dos Santos e mais 20 reais gastos na produção, inteiramente gastos no lanche dos atores junto com algum vale refeição que Thais pegou emprestado da irmã, filmamos em um único dia no teatro Clara Nunes no Centro Cultural Diadema antes da reforma.


Um ano depois, o Diaulas Ullysses editou “na faixa” em sua produtora e junto com os outros curtas do Núcleo COM-OLHAR (Todo Dia Ela, Tao e Pisada Marcantes) foram exibidos pela primeira vez em 2004. E neste mesmo ano nosso pequeno curta ganhou o Primeiro Lugar no Prêmio Plínio Marcos na Mostra de Artes de Diadema.
Um curta simples e hoje eu o vejo até ingênuo que selou minha parceria criativa (e ainda mais) com Thais Scabio e um pequeno embrião do que seria futuramente a Cavalo Marinho Audiovisual.

Assista o Curta COMO DECLAMAR DRUMMOND:


Direção, Produção e Roteiro
GILBERTO CAETANO e THAIS SCABIO

Atores:
DOUGLAS GODOI
UYARA SCHIMITD
BRUNO FERNANDES
WILLIAM FIGUEIREDO
RAFAEL TREVIGNO

Edição
DIAULAS ULLYSSES

Making Of
ROBY MORAES

Este é um pouquinho da minha história que será registrada como FRAME no meu blog. 

19.10.10

* * *

É impressão minha ou há muitas formigas por aqui?
Pelas minhas paredes
Comendo as minhas plantas
Querendo tomar o meu suco
Fodendo com o teto de gesso.

Querendo o meu fígado no café da manhã
Com pãozinho e pingado
Querendo a minha namorada.

Há formigas no meu quarto
Me sufocando
Andando pela minha língua.

Será que continuarei falando como antes?
  

13.10.10

5.10.10

(Conto): HORROR EM SANTO ANDRÉ

Existem algumas histórias que deveriam ficar escondidas no quartinho escuro de nossas mentes. Mas  elas ainda correm por aí e com um pouco de sensacionalismo de minha parte, peço que pare de ler este conto se sentir-se enojado ou uma indignidade querendo agir como Dexter e seu senso de justiça desajustado. Esqueça. Já o fizeram.

É como se estivesse acontecendo agora, sem aviso. Numa noite sem dia ou mês, apenas em 2009, mais uma ocorrência que o SAMU é chamado e tem que cortar rápido as ruas de Santo André, na Grande São Paulo, até uma casa, a mais bonita da rua. Os dois SOCORRISTAS (um jovem homem e uma mulher com mais de 10 anos de profissão) batem palmas, chamam, gritam e uma voz rouca angustiada responde que o portão está aberto. Eles atravessam um corredor, o quintal, estreito e mal iluminado. A porta de entrada da casa é na cozinha, cômodo grande. Há alguns pingos do que parece ser sangue no azulejo engordurado e pelo chão, uma faca jogada sobre a pia também com sangue.

- Senhor? Onde o senhor está? - perguntam os Socorristas.

O cômodo seguinte da casa, um lavabo, está com a porta trancada.

- A porta está trancada.
- Senhor? Foi o senhor quem chamou o SAMU?
- Abra a porta.
- Foi o senhor quem chamou?
- Eu queria... espera... –  murmura o homem.
- Abre, senhor.

Porta destrancada. A socorrista empurra a porta.

- Santo Cristo.

A pia está toda coberta de sangue. O lavabo é pequeno. Sobre a pia há um grande espelho na parede que chega quase até o teto. Ele vê um homem refletido no espelho, com cerca de quarenta e poucos anos, em pé com a calça abaixada até os joelhos e um bebê morto nas mãos.  

Os socorristas o arrasta para a cozinha e colocam o bebê sobre a mesa. Este homem, em um ataque de desejo incontrolável, estuprou sua filhinha de 6 meses de idade, o pênis rasgando a minúscula vagina. A dor refletida no rosto da nenê. O maldito pênis esmagou seus órgãos. A bebê morta ainda está com o pênis dentro de si, por isso o sangue no chão, ele tentando tirar o cadáver de seu instrumento de tortura. Morta presa ao pai. Os socorristas não conseguem tira-la e os levam para o hospital.

Na parte de trás da ambulância, o homem deitado na maca, aguardando ansioso para que o livrem do peso.

- Não era pra mim ter feito isso – diz o homem quase chorando, quase implorando, querendo se passar por um quase coitado.

No hospital, ele é carregado numa maca, um lençol branco sobre seu corpo manchado de sangue. Ficam numa sala, esperando. 

Dois policiais militares, um SARGENTO e um CABO, chegam para averiguar a ocorrência. A essa altura todos no prédio sabem sobre aquele monstro. Uma revolta, medo de tumulto, de justiça pelas próprias mãos. Os policiais vão até a sala com médicos e enfermeiras. Ao entrar na sala, o Sargento pede para que uma delas tire o lençol. O Cabo fica transtornado, tomado por uma dor insuportável que comprime seu coração e sua mente, a sala parece sem oxigênio e a única forma de voltar a respirar é cortando essa terrível contenção a bala. Ele dispara dois tiros na cabeça do estuprador e mais um no pescoço. Ninguém quis impedi-lo, ninguém no hospital se assusta com os três estampidos.

            O maldito está morto, como a inocente filhinha ainda presa. O Cabo está em estado de choque. Será afastado permanentemente por problemas psiquiátricos. Uma história baseada em fatos que realmente aconteceram e que poderia ficar esquecida, mas ela ainda corre por aí. 


(Gilberto Caetano)

...

28.9.10

* * *


Uma semana atrás aquela garota achava que tudo seria possível
Mas aquilo foi apenas uma fagulha de esperança
E aí ela se perguntou: Qual é o meu valor?

- Sei lá – diz o inconsciente – quem pode medir isso?
- Foda-se – diz consciente.

Pensativa com sua crise existencialista padrão sua mãe a interrompe, a encara e com uma incrível sensibilidade fala:

- Tudo que eu sempre odiei na minha vida você é, isso é deprimente.

A garota conclui que não precisa de mais duas semanas de vida. 



14.9.10

* * *



De sua boca rolaram duas palavras, escorregaram entre seus seios e deitaram sobre seu ventre

Duas palavras que entraram direto para a corrente sanguínea dele

Tomara que para sempre. 

8.9.10

Маркер: Ago/Set

        Terror em 30 Segundos                Y – O Último Homem (3)  
Zoom Magazine                                  Magic – The Gathering                
                                                   Franz Ferdinand
Hitchcock       Projeto Integrado       Vagalume Rosa        Trident        
          A Calda Longa   
          TdC           Metallica              Edição                   
Ex Machina              Dexter               Jamac Cinema Digital      
           Queen + Paul Rodgers 
           Sin City 3000  Feriado/Chuva            Story                                                              Fun Home

31.8.10

(Conto): APOSTAS


        Dia chuvoso, o PlayStation de MARCOS WINTHERKING SILVA já está cansativo, sem dinheiro, o dia dos namorados está se aproximando, ele lembra que não tem uma namorada, e isso é um problema. E não é o único, tem conta de telefone, conta de luz, conta de água, conta disso, conta daquilo. Que merda! De volta ao vídeogame, mas ele já terminou os 10 jogos que tem. Não tem nem dinheiro para alugar um filminho pornô para passar o tempo, comprar uma pipoca e chamar algumas amigas safadas. Ele gostaria de ter algumas amigas safadas. Marcos está só.
Quando desliga o game, na TV passa o telejornar da tarde. A repórter, tão atraente que deixa Marcos excitado – para ver o quando ele está desesperado – ela anuncia os números da Mega-Sena: 13/17/21/24/27/43. Isso deixa o prêmio acumulado em 45 Milhões de Reais.
Ele ouviu mesmo 45 milhões, o quê se pode fazer com isso? É mais fácil perguntar o que NÃO PODE fazer com tanto dinheiro. Ele pega sua carteira, tem 2 reais. Veste uma blusa, pega o guarda-chuva e sai. Anda dois quarteirões até a Lotérica, vê a placa na entrada que confirma, 45 Milhões, em um balcão tem os bilhetes para marcar os números, ele pega uns 50 e volta para casa.
Ele pensa em vários números e combinações. Números de ônibus que já pegou, datas de aniversário. Todo que pode imaginar, até a quantidade de punhetas do dia anterior. Escolhe os 7 primeiros números, 20 minutos depois mais 7 para o segundo jogo e 7 para o último. No verso dos bilhetes tem algumas explicações, ele lê essas informações, 6 números por 1 real e 50, dá para fazer apenas 1 jogo, 1 jogo apenas com 2 reais. 2 horas para tirar 1 de 7 números. Feito isso, Marcos lê as probabilidades de ganhar a Sena: 50.063.860 para 1. A Quina é 154.518 para 1 e a Quadra é 2.332 para 1.
“Eu tenho que acertar pelo menos a QUADRA, pelo menos a QUADRA!!!”
Marcos pega sua blusa, o guarda chuva, e sai para a rua de volta a Lotérica, são 2 quarteirões e quando atravessa a primeira rua e vem um carro... quase, mas por muito pouco mesmo, Marcos não é atropelado. “É o diabo não querendo que eu ganhe!” Ele vê isso como um sinal. Quando ele atravessa a última rua para chegar a Lotérica... BBBBRRR RROOOO OOOOOMMM MMMM !!!!!!!!!!!
1 raio fulminante o atinge na cabeça, em cheio, em segundos está com o corpo todo queimado, tostado como frango de padaria. Se ainda estivesse vivo ele pensaria: Qual a probabilidade de um Raio acertar a cabeça de um homem de 50 anos quando este vai a lotérica?
Probabilidade de ser atingido por um raio: 1 em 576.000
           Probabilidade de morrer atingido por um raio: 1 em 2.320.000

Marcos sortudo...



(Gilberto Caetano)

Veja também:

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